sábado, 11 de fevereiro de 2012

Não dá

"Não dá pra ir embora de uma vez. Os mesmos motivos de sempre me mantêm por aqui. Os mesmos amigos, as mesmas conversas, as mesmas boas sensações. Mas é estranho que pela primeira vez em tanto tempo, eu tenha vontade de mudar. Só resolvi sumir um pouco. Meus livros me esperam nas estantes, as canetas antes abandonadas de repente voltam a chamar atenção. As páginas dos cadernos antigos e pouco usados se enchem de palavras espontâneas. Eu sinto vontade de escrever, eu sinto! Mas não digitando, não batucando em um teclado qualquer. Sinto vontade de ver as palavras tomando forma, os sorrisos surgindo, as mãos de repente ficando dormentes pela escrita rápida demais. Sinto vontade de ler até que a história me canse, e até que então eu possa trocar de livro, e depois aparecer por aqui e olhar tudo com um sorriso de canto de boca. Eu me sinto bem dessa vez, satisfeita por ter conseguido me afastar um pouco. Mas é impossível esquecer de todos os laços antigos. Por isso ainda observo tudo de longe, e de vez em quando uma tristeza toma conta, pelos amigos que perdi, pelas sensações que não voltam, pelas coisas que não são mais as mesmas. Mas me sinto melhor assim, olhando tudo de um jeito um pouco distante. Só que também sinto falta das pessoas. E do que me fizeram sentir! Porém, paro e penso: o que seria de mim sem a saudade, sem a lembrança dos momentos que foram bons? Nada. São elas que fazem meu dia feliz… E é claro que também existem lembranças ruins. O cheiro de livro novo, porém, é capaz de apagá-las, fazendo com que se acumulem em um lugar bem distante, quem sabe em uma gaveta de lembranças ruins. Gaveta essa que minhas mãos não tocam. E aí, enquanto a história me envolve, enquanto a música toca nos meus fones de ouvido, eu paro e lembro daquela tal frase, que uma vez eu muito cantei: “Só me deixe quando o lado bom for menor do que o ruim.”. E, bom, eu deixei."
"Eu renunciaria um dia sem música ou barulho algum, só pra ouvir a sua voz do outro lado da linha por três minutos outra vez."
"Guarda-me no cantinho, mais pequeno do teu coração. É que, eu não preciso de muito espaço. Estou muito pequena e inundada em lágrimas, então irei encolher pelo resto dos dias - em que me permitires estar junto a ti. Não me digas que o nosso fim chegou, ou que as ondas do mar te levaram. Se o fizeram, foi porque tu deixaste. Então, não te desculpes com pesos que não suportas, ou culpando outrem pela tua fraqueza, e insensibilidade. Se queres ir, vai. Dirige-te ao areal, e sente o cheiro da maresia, que culpa o teu gélido coração por não estares mais nos braços de quem te ama. Leva contigo o fio que tem unido os nossos corações todo este tempo, e deixa-o a um canto sombrio. Talvez enterrado na areia. Para que tenha medo de nós, e não volte mais. Eramos uma rocha intacta, que com as batidas da água em nós se transformou em pó. Ou, pequenos e míseros grãos de areia - como lhe queiras chamar. Sempre nos distinguimos de todos os outros grãos, mas agora, estamos leves. Oh, leves e livres. Não nos pertencemos mais, e temos um caminho a sós, para fazer. Se me perguntarem se reconheço o teu coração pelo meio do nevoeiro cerrado numa noite de Inverno, eu direi que sim. Pois ele, é o único que brilha, aos meus olhos. Mesmo já não me pertencendo."

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