“Eu sei que não vivi o suficiente, sei que tenho muito pela frente, mas o que adianta tentar? Eu escrevo cada palavra com tanta convicção do que irei fazer, é como se fosse a única coisa que me aliviasse, saber que tudo irá acabar. Eu sei que sou jovem, mas eu tenho histórias, e vou jogá-las a sete ventos e deixá-las sozinhas. Talvez em outra vida, ou até mesmo encarnação eu encontre elas em algum lugar distante daqui. Meus erros serão enterrados, junto com meu corpo sem vida. Mas você, você que eu amei, não se preocupe, eu irei lhe ver lá de cima, ou talvez lá de baixo. Sei que para o céu eu não irei, tenho passagem direta para o que chamamos de inferno.
Eu nunca deixei de amar, cada dia que passava eu amava com mais intensidade, eu posso estar morrendo de amor, ou de dor. Mas eu sempre tive plena consciência que o amor causava a dor, é um grande ciclo. Eu me arrependo de não ter aproveitado um pouco mais, antes de cair nessa solidão e desespero. Posso estar sim cometendo o maior erro da minha vida, mas quem garante? Dizem por aí que a morte é fácil, calma. Eu nunca deveria ter posto os meus pés nesse grande mundo, talvez era mais fácil quando eu era criança. Mas o que eu posso fazer se não há mais nada a ser feito?
Deixarei tudo. Que meus sonhos sejam libertados, pois nunca se tornarão realidade, que minhas conquistas sejam uma dádiva, e que as minhas fotos fiquem de recordações. Lembranças serão apagadas depois de um tempo, eu não passarei apenas de mais uma pessoa que não fez história, alguém que sorriu quando teve vontade, e chorou borrando toda maquiagem. Eu poderia ter sido uma pessoa melhor, uma pessoa maravilhosa, mas eu não quis seguir esse tipo de padrão. Mesmice, sempre quis ser o que eu quisesse, dependeria de você me acompanhar ou não. Também nunca fiz por merecer, nunca fui merecedora de amor, carinho e afeto. Eu nunca mereci que alguém derramasse lágrimas por minha causa.
Posso deixar minha marca em você, mas eu quero que você se livre de mim o quanto antes, eu causei tanta agonia. E é por isso que eu resolvi acabar com tudo de uma vez, é mais fácil, um baque de uma vez só. Se fosse aos poucos, eu ainda estaria pensando se você iria sentir a minha falta, mas eu já saberia a resposta, e ela seria: não. Não sei porque ainda espero você me impedir de fazer isso, seria nobre de sua parte se importar um pouco mais. Será que adiantaria? Provavelmente na hora, e depois? Você continuaria igual. Me disseram uma vez assim “mulheres conseguem mudar quando estão apaixonadas, homens usam máscaras para se passar por apaixonados mas continuam sendo os mesmos cafajestes.” Talvez a pessoa tenha razão. Mas é, o por que disso tudo? Porque eu nunca fui suficiente, e nunca vou ser, meu lugar não é aqui, eu me sinto deslocada. Eu sempre quis mais e recebi menos.
Eu sou frágil, facilmente quebrável, e foi isso que aconteceu; eu me despedacei em milhares de fragmentos, sem conserto algum. Posso dizer Adeus sem nenhuma comoção, eu não quero ser impedida pelo meu medo, não tem essa, vai ser rápido e eu não vou sentir nada. Morrer por amor é a coisa mais banal e um tanto clichê, mas é o que me resta, quando eu desisti de você, eu acabei desistindo de viver. Pode ser nesta noite, ou talvez semana que vem, mas no momento que eu não for mais atrás, se preocupe, eu não existirei.
Meu coração é seu, posso arrancá-lo e lhe entregar? Vou deixar um bilhete colado em meu corpo quando me encontrarem pálida, sem batimentos. Nele estará escrito o teu endereço, e eu desejo que seu nome esteja em meu atestado de óbito; como a causa do meu suicídio. Eu venho morrendo a um longo tempo, desde quando você cruzou meu caminho, eu venho perdendo as forças, eu sempre fui tão forte, mas agora? Você sugou tudo que havia de bom em mim, deixou apenas os sentimentos sufocantes. Eu juro que tentei continuar, mas eu não tenho mais vontade ou coragem de levantar a cabeça e seguir em frente, na verdade não é que eu não tenha coragem, é que eu não consigo, eu estou presa nisso. Ou é isso, ou pode me trancar em um hospício. Se eu continuar aqui, eu irei enlouquecer.
Desculpa, eu sei que não deveria me desculpar, mas é desculpa pra quem realmente se importou comigo, talvez poucas pessoas. Eu nunca fui notável, então que seja. Que elas lhe culpem por esse acontecimento. Mas eu não lhe culpo por não ter me amado, quando tudo que eu fiz foi te amar. Eu te amei intensamente, eu te amei com todas as letras, eu aprendi o verdadeiro significado de amar uma única pessoa durante a sua vida inteira, de todas as pessoas que um dia eu disse que amava, não chegou nem aos pés do que eu sentia por você. Foi recíproco, platônico, intenso, expansivo, extraordinário, fervoroso, único, nosso. Mas acabou, e a nossa história termina aqui. Um risco de navalha, uns comprimidos de entorpecente, e um puxo no gatilho. Assinarei essa carta com meu próprio sangue, e você nunca mais irá se lembrar de quem eu fui.
Ninguém te amará mais do que eu lhe amei. Minhas últimas palavras, são as mesmas: “Cuide-se, sua felicidade é o que mais importa”. Eu irei lhe encontrar em uma outra vida, e você seguirá em frente nessa. Obrigada por ter me ensinado tanta coisa, e desculpe por estar jogando tudo fora.”