Tento todos os dias varrer suas sombras dentro disso que construimos. Maldigo o teu nome, invento um novo amor, distribuo sorrisos, porém, é por você. Sempre por você que todas as coisas mais lindas insistem ainda em existir aqui dentro. Às vezes gigante, às vezes um pouco apagado, porque, confesso, me canso, de acenar de longe, de carregar no ombro o peso das espectativas, de amar tanto e tanto amor não ter proveito, de tentar ser e nunca conseguir. Então, para não partir, invento ocasiões para que possamos estar presos um no outro, como uma maneira de sempre ter você por perto como garantia, como se só por saber que ali esta, ja bastasse. Tento sufocar as suas lembranças - tão poucas - em algum conto do meu armário, mas elas insistem em estarem ali, vivas, respirando loucas. Por mim, por nós, Pelo que nunca deixou de ser.
Peço desculpas, porque o meu amor por ti é feito de intervalos, se perde no meio do caminho vez em quando e, por vezes, muitas delas, acredita que não tem mais forças pra continuar. E é ai que volta mais forte do que nunca, tendo a certeza de que vai suportar todos os seus “nãos”, todas as suas desculpas infâmes que subestimam a minha inteligência de uma maneira tola. Mais tola do que o meu amor por você. E eu finjo que acredito, finjo que não me importo, finjo que você nem me doí. Depois grito, lhe atiro palavras, risos nervosos e lágrimas, enquanto você me observa pensando sabe-se lá o que. Eu disse a você que preciso ser mais linear, controlar os impulsos, ser mais cor de rosa. Mas insisto em ser vermelha e você, cinza sem graça. E cinza sem graça, caso você não saiba, é a minha cor favorita.
E eu te afirmo, que é por você, e só por você, que ainda bate.

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