"Incrível o poder da madrugada de me revelar, quando fico o dia inteiro a me esconder dos meus medos, indecisões, de você. Quando o que eu mais quero, é que o sol comece com sua magnitude a se pôr, e com ele se vá todas as minhas dores por te querer tanto. Bem que poderiam proibir amores que não são recíprocos. Ou deveriam vir com uma bula, de no mínimo cem ou mais páginas, com os malefícios que podem trazer tanto ao coração, quanto a alma. O quanto pode te deixar um pouco menos forte a cada vez que o sol se esconde daqui, para poder iluminar outros tantos corações frios como o meu. Espelho-me em um pássaro a pouco, que notei em uma praça, em dias seguidos de vento forte continuou a fazer um ninho, e não importando quão forte a ventania derrubasse os galhos que pacientemente ele colocava um por um, ia até o chão com um vôo rasante, achava entre os galhos que voavam uma criança a oferecer um afago. Senti forte inveja, por mais que eu continue a colocar meu ninho em perfeita ordem, por mais que eu passe anos me privando do vento que destrói o que foi feito, é inevitável que não nos alcance.
Cansada de escrever sobre o vazio que habitava em mim, como diz um bom ditado, joguei tudo para o alto, de verdade. Todas aquelas lembranças tuas que me atormentam a cada piscar de olhos. O teu sorriso que insiste em aparecer na minha mente como relâmpagos, daqueles que vem quando você menos espera, ou quando espera demais. O que me dói, não é a falta de você e dos seus afagos, das suas mãos entranhadas nos meus cabelos. Acabou o encanto do jasmim, do teu sorriso esboçado no meu, das conversas casuais dos nossos olhares quentes. Restou-me tudo que eu não queria levar, lembranças. Daquelas que nunca existiram, mas que fico cuidadosamente a imaginar a cada divino amanhecer."

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