sábado, 5 de maio de 2012

Ensaio sobre a liberdade.


Sobre a lástima que é prendê-la em meu vocábulo e sobre as asas que anseio. E queria tanto falar, e gritar, e expressar, e depois entender ao invés de esboçar tanto vômito de palavras, um negócio sem sentido do qual ninguém quer compartilhar. Ver passar todas as cores de boca em boca nas ruas, talvez se eu pudesse sair pra ver o mundo, o mundo todo, e as cores que ainda não conheço (e que ainda vou criar). Desenhar um contexto que seja lilãs e com textura de creme, falar de política ou de religião como se fala de futebol e novela. Ter um amor de Eduardo e Mônica e, meu Deus, será que isso não depende só do carinho da vida comigo? Acho que não. Acho que se a gente não for nos lugares inesperados, sabendo ou não que são inesperados, nunca vai encontrar amor. Aí penso de novo, e percebo que o amor que vem atrás da gente. Justo quando a gente tá falando de liberdade, e invade as palavras tentando fazê-las bordadas com rosas e com um ar de sorriso branco e barba preta. Eu queria um beijo molhado de qualquer um. E uma risada que ecoe no pôr-do-sol laranja que me faça crer em algo. Quero viver toda a intensidade que a eternidade me proporciona, e os ciclos do mundo, as incertezas e as provas dos nove. Com todos narcóticos e mentiras e furtos de felicidade e odores desagradáveis: me prende, me estrangula, não me surpreende, me aperta sem me abraçar. Minha gaiola enferrujou e só eu não quero ver isso: ainda não vejo, e enquanto olho pro céu entre as barras de ferro, procuro um lugar pra mim no mundo. Bolo planos de fuga sem nem ter pra onde ir. A gente acha que tá podendo e vê que não tem lar. A gente chora, chora, chora e pára: não tem colo nem lenço. E fiquei sem choro nem vela. Todo sábado eu encucava em ser feliz e acreditava em duendes. Comia cogumelos e quebrava uma regra. Vou seguir construindo meu castelo de libertação: sem pedras, nem chave, nem colchão, nem parede. Às vezes, um banheiro pra gente se esconder. E uma toalha cor de arco-íris que tenta voltar pro céu e vê que não dá, porque eu tô olhando as estrelas: estarei olhando as estrelas porque são livres como eu.

Nenhum comentário:

Postar um comentário