
“Minhas palavras traem meu coração e minha mente. Não sei mais de onde elas estão saindo, não reproduzem mais meus sentimentos e nem sequer fingem mais ter alguma humanidade, essas palavras saem como um sussurro rouco vindo de alguma profundeza que desconheço, que me assusta. Ouço por dentro mil palavras, minha mente me pede mil gestos, mas o eco daquele grito não me permite ouvir nenhum desses apelos, palavras se escolhem sozinhas e se reproduzem sozinhas usando meus lábios, isto está ferindo tantos inclusive a mim. Com a leve melodia que a voz dele fazia, misturada às risadas alheias na rua e o som da brisa travando minha face numa expressão vazia, novamente meus lábios se abriam falando qualquer coisa que meus ouvidos não podiam ouvir que meu cérebro não conseguia identificar como minhas palavras, talvez vivesse uma segunda eu dentro de mim. Que cruel não? Inventando uma segunda pessoa para minhas perdas de controle, os sentidos iam se anuviando até a hora que eu finalmente despertasse para todo horror que havia causado, estava me puxando para dentro, meus medos estavam me sugam para essa escuridão aqui dentro, e tudo que eu podia fazer era pedir socorro de uma maneira que nem eu conseguia entender, sem gestos e sem sons, apenas aquele silêncio e o olhar cheio de dor, será que alguém poderia escutar esse grito silencioso? Não me lembro sequer do meu último sorriso, da última companhia que estava ansiosa pela minha presença. Quero novamente isso, quero novamente os sorrisos e a felicidade, quero aquela luz que todos possuem, a minha estava sendo sugada por trevas, estou lutando sozinha e com esperanças de vitória – esperanças? – Acho que estou sentindo novamente, e falta pouco pra que tudo volte a ser como era, as palavras a serem minhas, você a ser meu, eu a ser sua, o céu ser azul e respirar por vontade de viver e não só por ser algo natural do ser humano. Amor, amor, amor, dor.”
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