Debruçada sobre aquele coxão não tão macio juntamente com um sua agonia trancada no peito, ela finalmente derrama todo seu sentimento - ou quase todo - que lhe atormenta em forma de escrita imaginária. Nas entrelinhas de cada palavra tão congestionadas de amor, mal consegue enxergar sua verdadeira dor. No compasso daquele lápis inexistente, os sentimentos vão saindo do seu coração e deslizam até a ponta daquele objeto. Aos poucos, frases e mais frases vão se transformando numa espécie de sentimentos aleatórios. Tudo muito bagunçado. Tudo muito semelhante ao seu coração. Em uma madrugada não muito agradável, o vento range lá fora e um frio lhe percorre a espinha: “Medo de ser a decepção novamente, não é pequena?” Acalme-se, é só o vento lá fora. Retoma sua inspiração e gotículas de um amor passado vão molhando aquele lençol com estampas de rosas. Parece sonho, parece pesadelo, mas são só lembranças de um romance que se acabou. A dor toma conta daquele corpo frágil; as lágrimas vão rolando lentamente sobre a superfície daquele rosto pálido e seus olhos vão se fechando vagarosamente. “São gotículas de dor. Não percebe o que fizeste comigo? Era pra ser eterno, mas minhas expectativas sempre me iludem.”Cerra teus olhos pequena, o sono vem chegando lentamente e o pensamento vai ficando cada vez mais distante: “É meu. Foi meu. Já não me pertences mais, querido romeu.”

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