Eu estou com tanta, mais tanta saudade de você. Eu tenho preenchido meus dias com coisas fúteis, comédias americanas, pessoas sem graça, e venho tentando me encantar com outros sorrisos, outros olhares… Mas enquanto eu vou tentando me enganar, e fingir que minha vida sem você é extremamente suportável, meu coração vai se entregando cada vez mais a dor e bombeando verdades para todo meu corpo. Verdades que gritam que eu me importo demais, por mais que não demonstre. Que eu te amo demais, por mais que não se importe… Que essa sua ausência e esse seu silêncio estão me causando uma dor tão grande, que parece rasgar todo meu interior, e passar por todas as barreiras reforçadas com a pouca força que me restava, mas que desaparece sempre eu percebo que não te tenho mais. Eu tenho me sentindo tão pequena e tão frágil, como se qualquer palavra dita sem pensar fosse capaz de me derrubar — ou de passar por cima de mim, porque no chão eu já estou. Parece que tudo que antes era felicidade, agora deu lugar a essa tristeza que não me deixa mais respirar sem me causar sensações ruins, como se algo dentro de mim continuasse se quebrando, se desfazendo em pedaços tão pequenos que eu jamais seria capaz de reconstruir. Suas palavras continuam fixadas em algum lugar dentro de mim, e parece que o seu efeito se recusa a passar… Parece que eu estou em constante desespero, correndo em círculos atrás de uma saída de emergência, mas tudo que encontro são portas trancadas a sete chaves, que me sufocam. O meu sorriso já não me pertence, a minha risada parece muda perante meus ouvidos, e todo e qualquer vestígio do que antes costumava ser meu, desapareceu por completo. Eu já não me tenho, já não me encontro… Tudo que eu vejo dentro de mim é o que restou de você. É esse pretérito indefinito tão singular que me assombra desde a hora que eu me deito — e me entrego a insônia que se apresenta com o teu nome — até a hora em que, por pura obrigação, me levanto. As minhas palavras, as minhas emoções, os meus desejos e sonhos se perderam nesse mar de dor que insiste em me arrastar correnteza abaixo, e eu já desisti de remar contra a maré. Eu já desisti de encontrar em outros corpos a paz que só havia em você, e de buscar em outras esquinas aquele seu perfume que me propiciava uma visal real daquilo que chamam de conforto. Deus, porque ao partir você não me deixou ao menos um pouco de você? Não me deixou ao menos um adeus, acompanhado de um “volto logo” para que eu ao menos pudesse dormir em paz? Para que quando o relógio marcasse três da manhã, essa minha necessidade de você não se tornasse tão violenta a ponto de me consumir por inteira. Isso tem me matado, e eu tenho me acomodado com esse suicídio a longo prazo que encurta meus dias, e eu tenho me apaixonado por ele e pela ideia de romper com toda e qualquer forma de vida que ainda possa haver dentro de mim. Eu tenho me apaixonado pela ideia de deixar para trás toda essa atmosfera que grita seu nome, e me obriga a fazer do meu oxigênio você. E essa insanidade, essa insanidade que me faz pensar na ideia de me perder pra ver se assim consigo te encontrar, perdido em algum espaço em meio ao vácuo, onde minha lembrança não te maltrata tanto assim. Você me maltrata tanto, tanto. Você pega tudo que há de bom em mim, e rouba pra você, mas me deixa assim, vazia e sozinha. Por que você não me rouba por completo? Por que você não vem me buscar? Por que você não me acorda com um beijo e me prova que tudo não passa de um pesadelo que se alojou em minha cabeça por mais tempo do que deveria? E eu… Logo eu… Por que eu não esqueço?

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