segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Lembranças

Algumas fotografias. Curiosamente, duas destas fotografias me chamaram a atenção. 
   A primeira, com cores vivas e verso amarelado devido ao passar dos anos, retratava minha infância. Com cabelos dourados e em sorriso inocente nos lábios, eu fora fotografada em meio a um campo que servia de lar para centenas de canteiros cobertos pelas mais diversas flores. A nostalgia crescia dentro de mim, trazendo consigo lembranças que tentavam romper as barreiras impostas pelo tempo. A foto chamou minha atenção não pelas cores, nem pelo ar de paz que nela reinava, mas sim pelo brilho que chamuscava em meu olhar. Naquele momento, eu era feliz sem ao menos saber o real significado de tal palavra. Talvez eu ainda não saiba. A segunda fotografia, menos desgastada pelo tempo, capturara o exato momento em que um casal sorridente, pego de surpresa, admirava o pôr-do-sol em uma praia qualquer. Um formigamento desconfortável surge em meu coração, e percorre minha corrente sanguínea, alastrando-se por toda extensão de meu corpo. Lágrimas clandestinas brotam da minha alma machucada e marejam em meu olhar perdido, que ainda assim encara a foto. Memórias que eu mantive trancadas parecem ganhar vida, e como quem vê toda a vida passar diante dos olhos em um décimo de segundo, eu vi elas passarem por mim, devastando toda a resistência a qual me impus. Resistência que mantinha meus pensamentos longe dele, e de sentimentos os quais já não me pertenciam, mas que eram inexauríveis. As iniciais B e K gravadas no verso da fotografia, agora banhada por lágrimas, intensificam minhas lembranças. A foto ganha vida, e eu quase posso sentir o seu aroma de hortelã próximo de mim, apenas mais uma vez. Eu quase posso sentir a sua mão entrelaçada a minha, e a sensação de perda que me invade quando romper com esse laço se torna obrigação e aceitar o seu adeus é minha única opção. Então, a fotografia se torna imóvel novamente, e tudo que resta são cores borradas e sorrisos que se perderam no espaço. Eu te revivo dentro de mim, e sorrio. Por um segundo, eu volto a acreditar em amor… Mas um segundo é tempo de menos, então esqueço. De mim, de você, de nós.

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