sexta-feira, 20 de maio de 2011

Quem sabe o que é ter que perder alguém?


É quando aquele sorriso fácil, aquela alegria estonteante se dissipa com a mesma  intensidade com a qual você sai pela porta da frente sem ao menos olhar pra trás. A porta bate e dessa vez eu sei que ela não abrirá mais. Você vai embora para conseguir desvendar quem é, para lembrar como era ou com a esperança de encontrar alguém melhor que eu, você vai embora antes da gente ser alguém juntos. As horas passam, e aquela luz acesa que você deixou sala me traz a sensação de abandono, de que agora restou o pouco, aquele copo de água que largaste na mesa da cozinha me faz entender que, assim como ele, a partir de agora tudo estará pela metade. O último dia de qualquer coisa que tenha durado tempo suficiente para me fazer sorrir atoa, é sempre triste, doloroso, cruel. A noite chega, e esse espaço enorme e incomum na cama me faz revirar, revirar, revirar e revirar até eu decidir que falta alguma coisa ali. Pego o telefone, mas pra quem ligar? Quem? Olho para a parede e vejo aquele nosso retrato, você olhando pra mim, e lembro de como a tua mão tocou meu rosto enquanto teus olhos fitavam os meus. Por alguns segundos pude sentir novamente teus abraços e teu cheiro pairou no ar. Todo mundo um dia vai embora mesmo, no final estamos todos sentados num banco de uma praça qualquer, lembrando daquele que um dia chegou, nos iluminou e depois foi embora, imaginando que o tempo nessa terra é muito curto mas sempre existe a certeza de que os ponteiros vão parar quando o reencontrar . Sabe, amanhã é um novo dia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário